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segunda-feira, outubro 04, 2010

Eleições

E a Dilma, que todo mundo tinha certeza, ia levar no primeiro turno, acabou derrapando na reta final e não conseguiu acabar com isso logo de cara.

É claro que as chances dela levar no segundo turno são grandes. Lula já deu a deixa: "Eu nunca fui eleito em primeiro turno", disse ontem numa coletiva de imprensa. E ela conseguiu muitos votos.

Não tenho comentários sobre o Serra. Ele só está na frente porque não é a Dilma. Ponto.

Surpresa, no entanto, para os 20% de Marina Silva, a zebra desta eleição. Ninguém acreditou que ela poderia ser tão importante; mas, contra tudo e todos, a candidata do PV saiu mais forte do que nunca. São os votos dela - ou melhor, de seus eleitores - que vão decidir agora quem comanda o Brasil.

No mais, uma mistura de alívio e desapontamento. Netinho não foi eleito - graças! Marta Suplicy também não. Ufa. Mas Tiririca, aquele palhaço (em todos os sentidos) que assina com rubricas e não com letras, foi o deputado federal mais votado dessa eleição.

Nessas horas, eu lembro do meu primeiro namorado. Ele saiu da escola na 8ª série e desistiu de estudar. Depois, resolveu fazer supletivo. No último ano, largou tudo. Investiu o dinheiro numa moto. Foi quando terminamos. E, no entanto, a campanha do Tiririca me faz imaginá-lo rindo no sofá, assistindo à campanha medíocre (se é que aquilo foi uma campanha) do candidato. Para ele, o voto é uma brincadeira. Sempre foi. Ele nunca aprendeu em lugar nenhum o que era exercer a cidadania e saber que o futuro do país está um pouquinho nas mãos de todo mundo. Todo mundo acha que Brasília é responsável pelas mazelas do país - mas quem trabalha em Brasília é colocado lá pelo meu, seu, nosso voto. Portanto...

Eu acho triste. E bora fazer o Serra levar essa eleição!

quinta-feira, setembro 23, 2010

... porque viajar é preciso

Então é assim.

Às vezes ser jornalista é um pé. No saco. Mas às vezes também tem das suas comodidades :)

Uma delas é que, às vezes, temos a oportunidade de conhecer algumas coisas... fantásticas. Sensacionais. São convites únicos e que valem muito a pena.

Pois amanhã, eu terei a chance de conhecer um dos resorts mais românticos do Brasil: o Nannai Beach Resort. E olha que legal: ainda vou acompanhada com o marido!



Aí, se eu sumir de novo até... terça-feira da semana que vem, vocês já sabem o motivo.

Bom final de semana!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Da responsabilidade

Eu sei que brasileiros não são lá muito patriotas. Não, não somos MESMO. E não me venha com aquelas imagens lindas da Copa do Mundo, ou dos atletas que suaram a camisa nas Olímpiadas (alguns durante anos antes, aliás), todos emocionados com as nossas vitórias no esporte. E também esqueçam aqueles artistas que vivem numa utopia linda, em que o povo brasileiro é simpático, acolhedor, amoroso. Sabe, aquela idéia romântica de que somos, no fundo, láááááa no fundo, pessoas de bem.

Quero que todo mundo deixe bem claro na cabeça os tiroteios das favelas cariocas. Das crianças que já morreram nas mãos de policiais corruptos, de traficantes, de ladrões pé-de-chinelo que não sabiam o que estavam fazendo e fizeram m****. Dos drogados que também fizeram m**** atrás de mais um pico, uma baforada. Dos ignorantes que vendem o próprio voto por dinheiro, por água - por dignidade. Uma dignidade que lhes foi roubada assim que o dinheiro caiu na mesa.

Porque esses, senhoras e senhores, TAMBÉM são brasileiros. E cada vez mais, se tornam maioria.

Então, eu venho aqui hoje dizer que, se você puder, por favor, de alguma maneira, espalhar essa idéia, talvez quem sabe a gente consiga mudar o Brasil. Porque é assim, comentando de pouquinho em pouquinho, que um dia quem sabe todo mundo vai entender como é que se vota nesse país. E aí, quem sabe, vamos parar de tratar o Brasil como latrina e viver de fato em uma nação no caminho da justiça.

Por que eu falo isso? Pois então. Recebi um link hoje no Facebook falando do Netinho. É, sabe, aquele pagodeiro que não fez NADA da Câmara de São Paulo, que não apareceu um dia para trabalhar e que ainda por cima bateu na esposa. O link aqui mostra bem o que aconteceu - aliás, tem a foto da moça, com a cara roxa das pancadas. Em outro momento, durante uma entrevista com os meninos do programa Pânico (que eu não defendo), o sujeito mostrou quão destemperado é e partiu para a porrada enquanto era filmado.

É esse distinto senhor que está cotado para ser mais um senador do Brasil. Sim, esse é o cara que vai mexer nas leis do seu país, que vai colocar regras no jogo do SEU dia a dia. Do SEU dinheiro, dos SEUS impostos. Se você acha que só porque ele está em Brasília isso não tem nada a ver com a sua pessoa, enganou-se. Esse distinto senhor, que não tem faculdade e mal sabe escrever uma frase sem erros de português (que dirá um projeto de lei!) está lááááá na frente nas pesquisas. Esse distinto senhor, que trata mulheres como lixo e é apoiado pelo presidente Lula (o que isso diz sobre ele e a Dilma, hein?), brinca com a própria pátria ao querer ser senador para viver às custas do dinheiro público em troca de... de nada!

Então, eu venho aqui para dizer: chega. É, CHEGA! Há muito tempo, o país elegeu um animal do zoológico como forma de protesto contra a pouca vergonha na política pública. Hoje, esse protesto virou piada - temos Tiririca, temos atriz pornô, mulher-fruta. E temos Netinho para senador. Portanto, se você é como eu e está cansado de sustentar vagabundo; se você, homem ou mulher, acha que um espancador de esposas não tem intelecto suficiente para lidar com um cargo de tamanha importância pública; se você, brasileiro(a), está cansado(a) de viver em um país onde nada é sério e o SEU dinheiro está sendo desperdiçado, faça como eu.

Vote NÃO ao Netinho e a todos os falsários que o apóiam. E mais: espalhe essa campanha. Se o Obama conseguiu se eleger com o lobby virtual, a gente também consegue tirar esse picareta do caminho do Senado.

Conto com o apoio de todos :)

terça-feira, setembro 14, 2010

Notícias

Tá, eu sei. Desapareci. Não foi por querer, não - na verdade, todo santo dia eu tenho no mínimo duas idéias de posts para o blog. O problema é que entre ter as idéias e ter tempo de executá-las existe um verdadeiro abismo.

Mas, enfim, cá estou eu. Por motivos negativos, é verdade - uma pilha de trabalho se acumula enquanto eu fui inteligente o suficiente para esquecer a lista de tarefas + telefones de contato no carro. O carro que foi embora quando o marido levantou para trabalhar. Pois é...

O sumiço tem explicação, também não muito feliz. A semana passada na minha vida foi equivalente ao Katrina em New Orleans: passou tão devastadoramente que levou sangue. Tudo culpa do excesso de trabalho (que eu, ingênua, acreditei que tinha me livrado quando decidi trabalhar em casa) e de uma intoxicação alimentar brava (é, daquelas que você pega quando come peixe estragado em um restaurante japonês de qualidade duvidosa, sabe? Delícia).

Aí veio o final de semana - aquele em que eu passei a base de sopinha, pão, chá e gatorade, porque era isso ou morrer de intoxicação alimentar. Ridículo. Mais ridículo ainda foi que, no churrasco de aniversário da mana (no domingo), passei batido pelas carnes e fui de franguinho com arroz e salada. Ainda bem que a Coca-Cola estava liberada.

Brincadeiras à parte, estou cansada, pedindo arrego, trabalhando demais... mas trabalhando sentada em frente à janela do meu novo escritório, com o silêncio do meu bairro quebrado apenas pelas crianças brincando na escola ou pelos cachorros correndo em seus quintais, e um ventinho fresco batendo em mim nesse dia quente em São Paulo.

De repente trabalhar demais se tornou menos ruim :)

terça-feira, agosto 31, 2010

Crise

Estou maravilhada. Extasiada. Sim, sim: eu descobri que sou normal!

Vamos aos fatos.

Estava eu assistindo televisão - uma ótima companhia nessa minha fase patética de vida - quando peguei um programa passando. Chama Happy Hour, passa na GNT. Não é lá um programa tããããão bacana, mas o tema me interessou: crise dos 30 anos.

Eu sei, eu sei, eu AINDA estou PARA FAZER 28 anos. Mas o programa não começou falando assim, de cara, "olha a crise dos 30 anos". Começou falando dessa fase na vida, lá pelas 27 anos (yep), aquela em que você começa... bom, começa a pensar na vida. Caso, não caso; compro uma casa, uma bicicleta, um carro. Faço um intercâmbio, passo o ano viajando. Troco de emprego, mudo de carreira? Saio da casa dos pais se ainda não casei?

Pois então. Essa sou eu há algum tempo. E, sim!, existem mais além de mim!

Eu não sei se é mais patético descobrir que estou em crise ou descobrir que estou em crise por causa de um programa de TV; mas, de qualquer forma, eu finalmente me senti confortável. A vida de repente se tornou maluca e eu achava que era a única a entender isso. Mas não sou!

E o que seria a tal crise? Bom, a psicóloga (sim, eles levaram uma psico para o estúdio...) disse que, na verdade, a tal "crise dos 30" poderia ter outro nome: crise da idade adulta. E eu acho que é bem por aí - pelo menos para mim. Aos 20 e pouquinhos, você acabou de sair da adolescência e o mundo ainda está se abrindo. Existem inúmeras possibilidades, e errar é permitido.

Contudo, aos 20 e poucões, você já tentou bastante e, bom, parece que todo mundo começa a olhar para a sua cara e perguntar até quando você vai continuar nessa boa vida de ficar apenas tentando. A verdade, mesmo, é que, aos 20 e pouquinhos, você não está tentando de fato. A vida está começando e o que o vento traz é sensacional. O futuro, aquele em que você vai mesmo se esforçar, está lááááá na frente.

E então, quando você menos espera, o futuro chegou! E todos aqueles anos, aquele tempo imeeeeenso que você achava que tinha, de repente, não mais que de repente... acaba sumindo do contador. É assim que eu me sinto todos os dias: como se o tempo tivesse ido embora sem nem deixar um bilhete explicando as razões.

Pode-se culpar a sociedade, a cultura brasileira, os homens, as mulheres que queimaram o sutiã e nos deixaram uma herança meio ingrata - afinal, não apenas não saímos da cozinha como agora cuidamos da cozinha e temos uma carreira. Enfim, dá para culpar todo mundo e todos, mas a verdade é que a culpa é só uma: minha. Ou nossa. Essa pressão toda nasce porque eu espero muito de mim e muito das outras pessoas, e todo mundo vive assim hoje em dia.

No fim das contas, eu não resolvi a minha crise. Mas eu fiquei feliz em saber que é normal entrar em pânico, surtar, não saber mais o que quer da vida e mesmo assim continuar acordando todos os dias fingindo que sabe. É, não é fácil. No entanto, o programa também mostrou um maestro que fez tudo errado e, no fim das contas, hoje é super bem-sucedido.

A caixa de Pandora se abriu para mim, e a esperança invadiu meu coração.

domingo, agosto 29, 2010

Consciência

Domingo amanhecendo. Os passarinhos despertando, remexendo-se nos ninhos. Acordam cantando, como que dizendo uns aos outros que dia feliz está para começar. Conversam, distraem, espreguiçam - passarinho se espreguiça? Sacodem as asas e dão bom dia aos vizinhos.

Civilidade que nos falta.

O sol vai, aos poucos, subindo num horizonte embaçado pela poeira do tempo seco em São Paulo. O cenário, no entanto, ainda é belo. Com o calor, aos poucos uma névoa vai cobrindo a paisagem ao longe, os jardins, as praças, as ruas, os telhados. Brisa gelada no rosto para acordar.

Mas que preguiça.

Jornal na porta às seis e meia da manhã, sofá convidativo, silêncio abençoado. Você e seus pensamentos, sua voz interior narrando a leitura das notícias fresquinhas. Imagens, análises, novidades. Investigações. O mundo continuou o mesmo depois de uma longa noite de sono - se é que você dormiu.

Café da manhã, pão de queijo recheado, chocolate frio com leite, pão com manteiga na chapa, mamão cortado, abacaxi fatiado. Uma fatia de mamão mais amarga - mas, quer saber? Nem só de sabores doces se fazem as experiências mais marcantes da sua vida.

Corrida de F-1, pesquisa no Google, mais preguiça.

Um domingo típico, para lembrar que a vida é boa, muito boa.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Cof, cof, cof

Nas duas últimas semanas, meu cabelo começou a funcionar.

Quem acha que cabelo cacheado é "lindo", "diferente", "exótico" e todos esses adjetivos fofinhos que as pessoas usam, um recado: vocês não sabem o que estão falando.

Sim, cabelo cacheado é lindo. Quando bem cuidado - o que requer, depois de anos de experiência e testes de produtos, muita sorte. Sim, porque às vezes nem mesmo a melhor hidratação do salão resolve o problema (sim, já aconteceu comigo).

Bom, fato é que meu cabelo tem vida própria. Às vezes ele me ajuda e eu consigo agradar; mas, na maior parte das vezes, ele só quer tirar uma com a minha cara. E eu morro de vergonha, claro.

Anyway, nas duas últimas semanas, ele decidiu se comportar. Os cachos agora se fazem facilmente, de forma suave, e até algumas mechas onduladas apareceram. Ele tá lindo. Adorooooo. A cor ficou melhor, o corte (que precisa ser renovado pra ontem) se ajeitou sozinho. Até depois de uma noite agitada ele fica bom.

Por que eu estou contando isso? Porque não é milagre. A última vez que isso aconteceu foi em 2008. Era maio. E eu estava no Deserto do Atacama - aquele que é o mais seco do mundo.

Isso diz muito sobre a qualidade do ar aqui em São Paulo.

terça-feira, agosto 24, 2010

Da morte

Já passava das sete quando o meu celular tocou. Era minha irmã. Seria uma ligação normal não fosse o fato de que minha avó, de 97 anos, estava internada em um hospital em Osasco. E aquele era o horário de visita que meus pais e minha irmã sempre frequentavam.

O esperado então tinha acontecido. Diante da hesitação na voz da minha irmã, eu entendi que a minha avó tinha falecido. E era tudo verdade. Depois de alguns meses de ida e volta do hospital, uma broncopneumonia afetou o sistema imunológico dela que, velhinha, sucumbiu à infecção. Septosemia, esse é o nome - mais conhecida como infecção generalizada. Uma hora o corpo desiste de lutar e simplesmente... desliga.

Foram cinco minutos de conversa. Não, não adianta eu ir até lá. Sim, meu pai estava bem. Sim, minha mãe estava com ele. Sim, eles me ligariam assim que a papelada do velório/enterro estivesse finalizado e eles soubessem onde seria.

Celular desligado, vem a estranheza. Acho que a melhor forma de descrever isso é imaginar que você conseguiu colocar uma roupa com câmera lenta e, enquanto o mundo continua rodando normalmente e as pessoas continuam agindo normalmente, você parou. Ou melhor, diminuiu a marcha de forma dramática. Os pensamentos invadem a mente por inteiro e demoram a passar.

E depois vem a pergunta: qual é o sentido? Ir para o inglês para conseguir o mestrado, ir para casa ver TV enquanto espero notícias. Não há sentido. Nenhum. A sua rotina se torna tão absurda que parece até uma piada ruim.

Peguei as chaves, entrei no carro e segui para o hospital. Cheguei achando que seria inútil... mas encontrei meu pai, sozinho, esperando chegarem com os documentos dela.

Afinal, nem tudo que eu sentia era tão sem sentido assim.

Tchau, vó. A gente se vê lá no céu.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Reformas

Estamos em reforma aqui em casa. Depois de dois anos de casamento, já era hora de fazer o que deixamos faltando quando nos mudamos - armários do banheiro, escritório, um rack decente para a sala. Também pintamos a casa e vamos colocar papel de parede. É claro que, como toda reforma, está saindo BEM mais cara do que o plano inicial; mas acho que só assim vamos deixar a casa com a nossa cara, finalmente.

Não sei se isso tem a ver, mas a verdade é que essa reforma está me inspirando a mudar tudo. Quero limpar meu guarda-roupa (de verdade), desapegar de peças que eu acho LINDAS, mas que infelizmente não cabem na minha vida. Também estou revendo livros, papéis, sapatos, cremes, perfumes, bijuterias.

E, principalmente: estou revendo idéias. Depois de tanto tempo fugindo e fingindo de certos comportamentos, de certos fantasmas, simplesmente pareceu o momento certo para enfrentá-los e expulsá-los.

Essa "reforma pessoal" ainda está longe de terminar. Mas com certeza já está deixando o ar circular dentro de mim novamente.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Infância

Senti um desejo louco por chocolate quente nesta manhã. Acordei e percebi que se conseguisse algo quentinho (bom dia, dor de garganta!) e reconfortante, talvez meu dia se tornasse memorável. Dito e feito: ao primeiro gole, senti um alívio imediato. Uma paz, um sossego, uma sensação de aconchego enorme. Minha mãe tinha razão: não há nada que uma xícara de chocolate quente não possa curar.

Senti uma saudade enorme dos tempos em que eu era criança e essa máxima fazia todo o sentido do mundo. Sim, porque hoje você toma uma xícara dessas e... corre para uma academia para queimar todo esse açúcar. Não, as coisas não eram assim. Quando se é criança, todo o açúcar do mundo não é um pesadelo na hora da balança; é praticamente um sonho realizado ter tanto doce à disposição!

E então eu senti ainda mais saudade da minha infância. E fiquei pensando em como somos idiotas de fazermos promessas que não manteremos. Eu vivo lendo textos e poemas falando de como devemos nos manter jovens e crianças para sempre, porque isso é o que vai manter nosso espírito vivo. Mas a verdade é que, entre as recomendações nutricionais e as esmagadoras responsabilidades que a vida moderna nos impõe todos os dias, é muito, muuuuuito fácil esquecer essa promessa.

Você esquece, por exemplo, de ser sincero. Porque a sinceridade, em algum momento, tornou-se grosseira. Falar a verdade é rude. Sob essa desculpa, aprendemos a pisar em ovos com todo mundo o tempo todo. É quase como inventar um personagem para cada pessoa que você conhece e assim evitar de tocar em alguma ferida. Porque vivemos na era da felicidade e se você por um acaso faz alguém sofrer com a sua opinião, deve ser excluído do convívio social. Sem segundas chances.

Aí, para manter uma interação social meramente possível, inventaram o "politicamente correto". Velhos viraram "terceira idade", que ainda estava ruim e virou "melhor idade". Deficientes agora são "portadores de necessidades especiais". E quando você diz ao seu chefe que precisam discutir a relação, você pede educadamente por um "feedback construtivo". Se a sua melhor amiga está acima do peso, você diz que ela poderia frequentar uma academia para ficar mais saudável. Ah, tá.

Depois, você esquece de enxergar as possibilidades. Quando eu era criança, eu queria muito ser bióloga para estudar a rota migratória de baleias no Canadá (!). Atualmente, tenho planos para o final de semana. Quanto mais crescemos, mais nos dizem para viver o "aqui, agora", mas a verdade é que vizualizar o futuro é sensacional. Ele não precisa se realizar, mas um horizonte de possibilidades infinitas é inspirador - e nos inspira a realizar coisas legais agora, aqui, no presente.

Por fim, quando somos crianças não temos medo de nada. Quer dizer, temos medo de tudo, mas existe um projeto de herói dentro de todo mundo que nos empurra a desbravar o mundo com olhos curiosos. os tropeços e tombos estão pelo caminho, mas a capacidade de esquecê-los é imensa - e a lição é absorvida quase que automaticamente. Sem análises, sem discussões. Sem a ajuda de psicólogo, terapeuta, um copo de cerveja ou de vodka (para os mais desesperados).

O que me leva a uma conclusão apenas: será que estamos mesmo crescendo? Se considerarmos que ficamos mais responsáveis e experientes, sim. Mas será só isso? Porque, pensando em todas esses "pequenos detalhes" que deixamos para trás porque crescemos e queremos nos agrupar no mundo dos adultos, eu realmente fico em dúvida. Como crianças, podemos ser ingênuos, mas jamais trairíamos nosso próprio coração.

E como adultos, bem... há corações partidos todos os dias, todas as horas, o tempo todo, em qualquer lugar.