Domingo, Novembro 22, 2009

O começo

Existe algo mágico durante a primeira vez de qualquer coisa nessa vida.

É um momento de total medo e pânico, certamente. Mas também existe expectativa, curiosidade, sofrimento, excitação. Nos sentimos arremessados de repente em um turbilhão de emoções que, à princípio, confundem um pouco. Mas, aos poucos, vão se encaixando em uma bagunça lógica que, por fim, mostra toda a beleza da nossa capacidade de adaptação.

Talvez por tudo isso, a primeira vez em qualquer aspecto seja marcante. Inesquecível. Mesmo que seja um fiasco, nunca será de fato um desastre - no mínimo, irá render risadas para o futuro.

Há uma ingenuidade também. Uma inocência no ar, aquilo que comprova de fato que somos puros. Inexperientes. Na hora, isso é um terror. Depois, no entanto, é como se tivessemos ganhado uma marca dentro da alma. Um pontinho que comprove que aprendemos mais alguma coisa nessa vida.

Eu me lembro de muitas primeiras vezes. Amor, sexo, decepção, emprego, briga, rebelião, crise. Coisas práticas também: dirigir, correr, comer, cozinhar, comprar, trabalhar. A primeira coisa que comprei com o meu primeiro salário. A primeira vez que comi palmito. A primeira vez que viajei de avião. A primeira vez que realmente quis morrer.

Há uma mágica em viver uma primeira vez. Há poesia e estrelinhas e sinos tocando dentro da sua cabeça - e, mesmo assim, você ainda consegue alinhar os pensamentos e fazer alguma coisa, qualquer coisa. Há emoção, porque a vida toca o coração. É como se ficasse comprovado, fisicamente, que não somos nada em pleno universo... que devemos sempre olhar para frente, procurando mais "primeiras vezes". Procurando saber mais, provar mais, conhecer mais. Sentir mais.

Uma primeira vez pode ser assustadora. É na maiora das vezes, ao menos para mim. Mas é quando mais me sinto viva. E isso vale muito.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Adooooooroooooo

Para quem perdeu a pré-estréia de Lua Nova ontem, só uma coisa a declarar:

O FILME É PERFEITOOOOOOOOOOO!

O que um orçamento maior e mais popularidade não fazem...!

P.S.: Por motivos bem óbvios para quem assistir ao filme, rolou o debate se o Jacob não ia conquistar mais fãs que o Edward. Sinceramente: o Jacob é gostosão mesmo (assim, mesmo, MESMO), mas perto do Edward, bem... ele é só o Jacob ;)

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Então é assim

Um belo dia, em um momento qualquer, você percebe que a hora chegou. É ali, naquele instante, naquele segundo que pára no relógio, que você decide que simplesmente... deu. Acabou. Já era. Fim. Sim, o fim chegou. Exatamente isso.

Chega.

Nada mais de desculpas esfarrapadas para adiar o inevitável. Nada mais de pontos positivos para pensar e balancear a equação final. Nada de pensar nas coisas boas, olhar o lado mais legal, mais brilhante.

NÃO HÁ lado brilhante ou positivo ou bom.

E é nesse momento, nesse instante, quando você percebe que nada de bom mais pode sair dessa história, que você simplesmente desapega. Uma intensa sensação de liberdade invade o seu corpo e você sabe que, a partir daquele instante, daquele momento, daquele segundo derradeiro, as coisas serão diferentes. Você será diferente.

E isso é tudo o que importa agora.

Livre, finalmente.

[Atualizando]

Me lembrei agorinha de uma música que simplesmente traduziu meus pensamentos hoje...

"Fuck You", Lily Allen

Look inside, look inside your tiny mind
Then look a bit harder
'Cause we're so uninspired, so sick and tired
Of all the hatred you harbor

So you say it's not okay to be gay
Well, I think you're just evil
You're just some racist who can't tie my laces
Your point of view is medieval

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Do you get, do you get a little kick
Out of being small minded?
You want to be like your father
It's approval you're after
Well, that's not how you find it

Do you, do you really enjoy
Living a life that's so hateful?
'Cause there's a hole where your soul should be
You're losing control a bit
And it's really distasteful

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you, fuck you

You say you think we need to go to war
Well, you're already in one
'Cause it's people like you that need to get slew
No one wants your opinion

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you, fuck you

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Me diz, POR QUÊ????

Eu não sou uma pessoa má. Eu pago meus impostos, as dívidas, o almoço e o jantar quando o marido não pode. Faço as compras do mês certinho. Economizo quando posso. Não maltrato animais (a não as baratas - mas é exceção), não uso peles de animais em extinção no meu vestuário e não como cachorro, cavalo, avestruz.

Eu não xingo a minha mãe e vou visitar meus pais duas vezes por semana. Eu trato bem as pessoas. Sou cortês. Sou amiga de quem precisa. Eu ajudo velhinhas na rua e também dou informação a quem pede. Eu paro meu trabalho para ouvir/ler um desabafo. Eu penso nas pessoas antes de qualquer atitude minha. Eu sou responsável. Eu respeito prazos. E limites também. E regras. E leis.

Também estudo inglês e sou uma das melhores alunas. Também sou uma ótima profissional, modéstia à parte. Trabalho duro todo dia. Dou o maior duro para ganhar o meu salário e ainda faço o social e o marketing pessoal.

Então, eu me pergunto, por quê, MAS POR QUÊ, meudeusdocéu, SÓ APARECE GENTE LOUCA, INSANA, MALUCA, DOIDA DE PEDRA, no meu caminho profissional? POR-QUÊ, eu me pergunto. Não é possível que todos esses doentes mentais se concentrem mim!!!!!!!!!!

Humpf.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

... e apagou

Então foi assim. Lá pelas dez horas, acho, porque estava dormindo no sofá um pouco antes de acontecer. De repente, as luzes lá em casa começaram a piscar, num vai-não-vai, parecendo que iam se desmontar. Ou estourar. A tv, coitada, ficou na mesma, mas logo a tela escureceu. Do alto do décimo andar, deu pra ver que as luzes de todo mundo estavam enlouquecidas do mesmo jeito.

Ficaram assim, sofrendo a inconstância da corrente elétrica, até que por alguns minutos se mantiveram fraquinhas, acesas por um fio. E de repente, não mais que de repente, numa reação estupidamente rápida, apagou tudo. Em casa, ao redor e ao longe. Do décimo andar, como eu dizia, deu para ver que foi instantâneo. Até parecia coisa de filme. A sala empreteou, as ruas ficaram escuras também. Ao longe, uma sirene brilhava, vermelha, provavelmente de algum sistema de emergência dos prédios ao redor.

Da área de serviço dava para ver a Marginal Pinheiros, igualmente um borrão escuro na paisagem ainda mais escura. As ruas só se iluminavam com os faróis, agora potentemente ligados na intensidade máxima, para permitir alguma visibilidade. Sem internet, sem telefone (nem os celulares funcionaram), sem televisão, pensei em ir até o carro e ouvir o rádio. Mas lembrei. Do décimo andar, como eu dizia, até o carro, era uma longa caminhada - e uma subida ainda mais complexa.

Fui atrás - eu e o marido, também igualmente confuso e maravilhado com aquela situação toda - de um rádio. Na verdade, o mais próximo disso em casa é um aparelhinho de mp3, ultrapassado, velho, funcionando com pilha. Irônico. O marido tem um iPhone, temos todas as tecnologias em casa, e ainda precisamos do bom e velho radinho de pilha.

No meio da noite, consegui conexão com meu pai e minha irmã. Lá também estava tudo escuro. Meu pai ouvira no rádio que era geral - Rio, Paraná, Mato Grosso, Goiânia, e por aí vai. Me lembrou o apagão de 2001. Eu estava no colégio, em prova de matemática. De repente, as luzes se apagaram na escola inteira. Fomos dispensados das aulas - o que se provou um erro, porque todos os alunos se amontoaram na porta da escola, na rua, esperando alguma indicação do que fazer. A fila no orelhão (pois é, celular ainda não era necessidade básica da adolescência) estava imensa. Quando consegui ligar para casa, minha mãe me disse: espere aí, seu pai já foi te buscar. Uma delícia saber que as pessoas cuidam de você sem precisar pedir. Esperei, ele me encontrou, voltamos de carro para casa.

As coisas que a memória da gente guarda...

O mais legal é que eu não fiquei com medo. Curiosa, bastante - afinal, sou jornalista (ha!). Mas me senti criança de novo, enrolada no endredon na sala com o marido, olhando o vazio da noite e esperando as luzes se acenderem no horizonte de novo.

Eu dormi, ele dormiu, fomos para cama, e só às 4 da manhã a luz voltou.

Mas o elevador ainda continua quebrado lá no prédio. E, no décimo andar, como eu dizia...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Da tristeza

Ando triste. Quer dizer, não assim, triste TRISTE, mas um pouco, sim. Isso provavelmente é fruto do meu exaustivo trabalho - agora eu consegui a proeza de me entupir de coisas o suficiente para ficar na frente do computador umas 12 horas por dia. Delícia. Meu braço/costas/pulso agradecem o cuidado especial.

Mas, sério, ando meio triste. De pensar que essa correria insana ainda vai durar alguns anos. Afinal, como disse uma amiga queridona, "dos 20 aos 30 a gente só de f. mesmo". E é por aí. Trabalhamos feito camelos por um salário mediano e ainda temos que provar para os superiores (geralmente dinossauros invejosos da sua juventude ou jovens inseguros por serem chefes cedo) que somos bons, competentes, responsáveis, inteligentes, pró-ativos (argh), criativos. Em resumo, temos que ser brilhantes o tempo todo - de preferência, sorrindo sempre.

Eu comparo isso a fazer exercícios na academia sem ofegar ou mostrar qualquer sinal de esforço.

Moleza.

E fazemos isso sempre, todos os dias, com todo mundo. E aí vamos escondendo aquelas pequenas coisas do dia a dia que te incomodam porque, bom, francamente, quem tem tempo de pensar nelas? E um belo dia, como roupas velhas entulhadas no armário, elas despencam no seu colo de uma só vez. E aí vem a tristeza.

Tristeza de não ter tempo para nada a não ser trabalhar. Tristeza de pensar que se trabalha 11 meses para ter apenas um mês - um mísero mês! - de férias, paz, e tempo para si. Tristeza de pensar no que seu perdeu enquanto ficou presa até tarde no escritório - a pizza com as amigas, um jantar romântico, um jantar com os pais, um cinema com a irmã, uma série da academia.

Tristeza de ver motivo em tudo isso, mas não ver sentido em continuar sentindo essa tristeza por tanto tempo - afinal, até os 30, eu ainda tenho três anos!

Tristeza. É isso o que eu sinto. Não é profunda e muito menos incapacitante. Mas é dolorida, incômoda, enjoada, como aquelas coisas que eu tento entulhar num armário escuro e escondido na minha alma.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

A tal da Uniban - parte II

Eu achava que essa história já tinha rendido o suficiente, mas, aparentemente, a Uniban decidiu que não, ainda não era a hora de terminar esse bafafá todo.

Quem recebeu os jornais nesse fim de semana tomou um susto: de sábado para domingo, na calada da noite, uma reunião dos cabeças da universidade decidiu que a aluna que usou o tal vestido pink curto (e, convenhamos, nem era assim TÃO curto) deveria ser expulsa da universidade. A decisão foi publicada no domingo, em comunicado oficial, nos principais jornais do país.

O documento (que pode ser lido na íntegra aqui) afirma que a reação escandalosa, descabida, selvagem e ignorante dos alunos igualmente irracionais daquela universidade (que participaram da bagunça) foi "uma reação coletiva de defesa do ambiente escolar".

Devo lembrar aqui que, igualmente "em defesa da moral e dos bons costumes", já vimos mulheres sendo apedrejadas em vários países islâmicos; já vimos mulheres sendo mutiladas em seu órgão sexual, pelo simples fato de que não se pode ter prazer durante o sexo (p. pecado para alguns); e, enfim, lá no passado, as mulheres eram queimadas por serem bonitas, atraentes, ou simplesmente inteligentes.

Devo lembrar que já queimaram livros em nome da "moral e dos bons costumes". E essa época ficou conhecida como a Era das Trevas na Europa. Por que será, não é mesmo?

Vale lembrar também que vivemos em um país tropical, onde as mulheres usam roupas sumárias durante o carnaval (as que usam) e NUNCA vi nenhum desses alunos indo lá reclamar. Pelo contrário, APOSTO MINHA LÍNGUA como muitos desses estão lá, curtindo a nudez alheia, passando a mão quando dá - porque de tão babacas, não conseguiriam msmo conquistar alguém.

Vale lembrar que, por estarmos em um país tropical, nós, mulheres, somos sempre cobradas a sermos magras, peitudas, gostosas, bundudas, e por aí vai. É ridículo, portanto, ver uma menina que assume tudo isso numa boa ser tratada como uma criminosa.

O pior de tudo é ouvir do advogado da Uniban, Décio Lenconi Machado (bom saber o nome dessas pessoas) dizer que a fulana "sempre gostou de provocar os meninos". E ainda continua: "O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar." PÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁRA TUDO. Quer dizer então que, se eu estiver usando uma minissaia na rua, um tarado FDP me atacar e me estuprar, a culpa é minha? Ou então se eu estiver falando ao celular no carro e um idiota passar de moto, levando o aparelho, eu provoquei o assalto? E a secretária que sofre assédio sexual do chefe, é porque usou muito decote durante a semana?

Essa lógica é, no mínimo, perversa.

Não defendo a tal moça porque, convenhamos sabe, ela causou na faculdade. E não precisava. Tudo bem, ela ia para a balada, mas dava para ela ir com outra roupa e se trocar no banheiro, sabe? Mas isso nem de longe justifica todas as palavras de abuso e agressão que ela ouviu, o descaso das alunas da universidade (mal comidas, eu sempre falo) que viram e participaram de tudo, o auê de sair cercada por policiais e, agora, essa expulsão injustificada. O problema era ela - a sensualidade da menina, a vontade de se sentir desejada, de flertar. De provocar mesmo. E daí para tudo isso? Alguém vai me dizer que nunca quis fazer isso? E qual é o problema?

O maior abalo não foi na imagem dessa menina, por incrível que pareça. Nem na universidade. Para mim, foi na revelação de que temos moralistas hípócritas na sociedade, uma sociedade jovem e moderna, esperando ansiosamente para darem o golpe e levarem todos para escuridão.

A Idade das Trevas nunca esteve tão próxima em São Bernardo do Campo.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

A tal da Uniban

O assunto está bombando hoje, mesmo que já tenha saído nos sites há uns dois dias. Uma aluna da Uniban, unidade São Bernardo do Campo, foi exageradamente hostilizada pelos colegas de faculdade por usar trajes nada comportados para assistir aula (veja um pouco aqui). Não sei quem se vocês têm acesso ao conteúdo da Folha de São Paulo, mas, quem tiver, seria interessante ler a matéria que escreveram. Até uma professora ficou lá, com cara de indiferente, enquanto a menina era xingada, agredida (sim, sim, os alunos tentavam colocar os celulares no meio das pernas da menina para tirar fotos) e deixava o campus sob escolta policial.

O que me choca nessa história é como as pessoas não enxergam o problema DE FATO. A menina me aparece na faculdade com um microvestido cor-de-rosa, mas pequeno mesmo, daqueles que a gente fica com vergonha só de olhar. Não é o tipo de roupa que eu usaria e... PONTO FINAL. É só eu virar o meu rostinho lindo para o outro lado e ignorar, afinal, cada cabeça uma sentença e ela, a família e o namorado devem se ajustar no que ela acha que deve vestir. Eu posso, no máximo, rir dos homens chamando ela de "gostosa" por onde ela passa.

A questão é: não é problema meu.

MAS, aparentemente, os alunos daquela universidade não pensaram assim. Puros, inocentes, livres de qualquer erro moral ou conduta ética em seus currículos (ha!), eles julgaram que a moça estava sendo ousada demais. E o que se faz com as mulheres ousadas demais, aquelas que sempre provocam os intintos masculinos, sejam por ser sensuais demais ou inteligentes demais? Bom, elas são destruídas. Decaptadas. Queimadas. Em épocas modernas, humilhadas. Como essa pessoa foi.

Eu não me importo se ela abusou da sorte. Não me importo se ela usou a roupa errada no lugar errado, se ela estava realmente ofensiva, se ela acha bonito se vestir como uma prostituta. EU NÃO PODERIA ME IMPORTAR MENOS com tudo isso. O que me choca, o que me assusta, o que me desconcerta e me tira do sério, é ver que existem sempre pessoas pequenas de espírito prontas para julgar o próximo, condenar e aplicar esse tipo de pena mesquinha e de baixo nível. Porque dar um barraco desses é tão baixo quanto usar uma roupa vulgar. Ou não?

E tem mais. E SE, por acaso, a garota fosse mesmo uma prostituta? Ela então merece ser apedrejada, humilhada, xingada? Não pode ser pessoa de bem, legal, boa de coração? E mais importante: por que a roupa curta e a maquiagem pesada incomodam tanto? A confusão começou no banheiro das meninas, quando um grupo de mal-comidas (é só esse termo que encontro para descrever mulheres que perdem tempo e energia fazendo esse tipo de coisa) cercaram a tal para que ela vestisse uma calça. Gente, alowwwwwwwwwwwwww!!!! Vocês não têm aula para assistir, academia para perder os quilos a mais, amigas para fofocar, um livro para ler? Não têm que ir para casa, sei lá, tomar banho, dormir???? PARA QUÊ, peloamordedeus, parar a vida uns momentos e ir atrás de alguém pelo simples prazer de dizer "você me incomoda com essa saia curta"????

Desculpa, mas isso é dor de cotovelo. Despeito mesmo. Inclusive para os meninos - sim, sim, não conseguem pegar mulher bonita de verdade assim, "na raça", e acham que assim conseguem chamar atenção. Humpf.

Aliás, é doloro ver que as mulheres se tratam assim, tão mal. Tenho certeza que a força dos garotos que diziam que iam estuprar a tal (pois é) ficou muito mais potente depois que eles se deram conta de que nem mesmo as meninas estavam do lado dela. Pelo contrário, a agrediam também.

E assim que vamos descontruindo a imagem de sociedade moderna, tolerante, que o Brasil a-d-o-r-a vender lá fora. Mais que isso, vamos evidenciando aos poucos esse machismo velado que vivemos todos os dias das nossas vidas, mostrando que, infelizmente, na falta de censores homens para cortar as nossas vozes, podemos contar com muitas (sim, várias) amarguradas e infelizes para ajudarem nessa tarefa.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Então é isso aí

A vida está passando muito rápido por esses dias no meu quintal, e estou tentando acompanhar o ritmo alucinante de tudo o que está me acontecendo.

Não, isso não é ruim. Na verdade, é uma sensação incrível ver todos os seus projetos e planos saindo do papel, começando a se tornar algo mais concreto, palpável. Dá um p. medo de ver tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas, como disse meu maridinho, "quando as oportunidades aparecem a gente tem que aproveitar".

Isso inclui muito trabalho, muito estudo, muita dedicação a tudo isso. E ainda sem descuidar da coisa mais importante, aquela sem a qual eu jamais conseguiria fazer nada disso: a família. O marido. Os amigos e amigas.

E, por fim, sem esquecer que eu sempre preciso de um tempo assim, sozinha, comigo mesma, para colocar os pensamentos em ordem e refletir sobre como as coisas estão ou não boas, se precisam ou não de um retoque. Geralmente algo que eu faço quando escrevo aqui :)

Por tudo isso (e ainda uns projetinhos que quero colocar em prática aqui - vamos ver mais pra frente!), eu ando meio enlouquecida, às vezes bem ausente. Não é fácil acomapanhar a rabeira do cometa!

(Nossa, esse post tá no maior tom de despedida, né! Que coisa ridícula!!)

Bom, esse post é só isso aí em cima. Era só para dizer que eu estou correndo, mas vou continuar voltando pra cá :)

Domingo, Outubro 25, 2009

Senhora e senhores, Dita Von Teese

Às 13h38 minutos, chego ao hotel na região central de São Paulo. O domingo amanheceu abafado, embora nublado, bem diferente do sábado de sol e calor que quase derreteu até os mais animados um dia antes. No lobby do lugar, decorado com muito veludo vermelho e dourado, uma modelo alta e de cabelos enroladíssimos, vestida em preto e salto alto, aguardava os jornalistas com uma lista em mãos. Apenas os nomes ali teriam 10 minutos com a diva do burlesco, Dita Von Teese.

Em seguida, a assessora de imprensa - vestida igualmente impecável - surge do elevador. Simpática, sorridente, nem parece que está trabalhando em pleno domingo. Aliás, o bom humor imperou hoje - algo raro entre jornalista, sempre tão reclamões, sempre tão chatos. Ela nos convida para subir; Dita está ainda em sua suíte, se preparando, mas logo irá nos receber.

Subimos. Chegamos a uma sala, também decorada com peças douradas e em veludo, embora mais discreta que o lobby. Enquanto aguardamos, coquetéis são servidos em taças de martini - Dita veio ao Brasil à convite de uma marca de licor e vai apresentar seu famoso show dentro de uma taça do icônico drink (muito embora estejam servindo uma receita da marca, e não o drink preferido de James Bond).

Dita começa a agenda de entrevistas do dia, e logo minha vez chega. Estou nervosa. Um frio no estômago é sempre bom; é para nos lembrar que temos sangue correndo em nossas veias; que, apesar de jornalistas, também somos fãs, também temos vergonha de sermos simples mortais. Na hora, é claro que nada disso conforta. O importante, eu sempre penso, é manter o controle. Isso é fundamental para levar a entrevista por caminhos conhecidos e que sejam relevantes para o que eu quero escrever.

Essa confusão de pensamentos revira meu estômago. Mas subitamente sinto uma calma quando entro na sala reservada para a entrevista. Ao passar pelas cortinas brancas e leves, fechada de forma incompleta na porta de vidro quadriculado, me deparo com uma boneca. Sim, sim. De porcelana. Pele perfeita, branca, finamente maquiada, corpo enxuto, madro, mingon. Dita usa um vestido lilás com saia plissada e muitos babados ao redor do pescoço e dos ombros desnudos. O decote é generoso e deixava entrever muito mais do que uma garota tímida e comum de Michigan permitiria. Mas, talvez pelo sorriso delicado emoldurado por lábios marcado com batom vermelho, pelas feições igualmente suaves e pela cor do vestido, não percebi vulgaridade. Os cabelos negros - ela é loira de nascença - estão penteados, anelados, divididos para o lado. Dois pequenos brincos brilhantes repousam em sua orelhas e aparecem de tempos em tempos, quando ela ajeita as mechas com as mãos.

É nesse instante que me apaixono. Não pela personagem que, francamente, pertence ao show burlesco e às fotos sensuais que fazem dela um sucesso. Dita usa sua beleza e feminilidade, mas ela ainda é gente como a gente - apesar de ser, de fato, uma pin-up. Ri de si mesma ao dizer que jamais seria uma dessas modelos lindas, loiras e naturais, e assume que a luz num ambiente faz milagres para qualquer mulher. Deixa claro que, no dia a dia, não consegue ter tempo para se maquiar como uma pin-up - a não ser que vá falar com a mídia ou fazer algum evento. E é fofa: assina um pôster para minha irmã (que é fã) e ainda tira uma foto comigo.

Dez minutos se passam e a sensação é que foram dez segundos. A minha vontade - bem como de todos os jornalistas que falavam com ela - era de dizer: escuta, você quer ser minha melhor amiga???? Posso ser a sua então????

Voltei para casa feliz. A entrevista foi boa e eu ganhei mais um ídolo. Mas, acima de tudo, voltei com a sensação de que amo minha profissão. São essas pessoas que fazem o sacrifício de trabalhar num domingo a tarde valer a pena.

De verdade.