A selvageria do dia a diaEsse é o Bóris. Ele tem quase três anos, é um cocker cor de chocolate e adora fugir com o seu ossinho na boca. Bóris é meu cachorro. Ele odeia ir dormir fora de casa, mas o faz quando está calor. Ele adora comer qualquer coisa que seja lançada ao chão, principalmente quando é acidental. Bóris é o primeiro cão que me mostrou ser capaz de comer ovo frito. E rúcula. E jiló. E alho. E beber Coca-Cola.
Bóris é um cão feliz, eu acho. Embora, às vezes, ele se torne um pequeno diabo. Bóris já me mordeu algumas vezes - em uma delas, eu chorei. Ele ficou realmente bravo. O problema todo gira em torno da minha mãe, na verdade. Na cabecinha canina dele, ela é uma espécie de rainha que deve ser protegida de tudo e todos. E isso, claro, incluí a própria "matilha".
Apesar dele me morder às vezes, ele é um bom cão. Brinca sempre que pedimos, faz gracinhas muuuuuuuuuito engraçadas, está sempre abanando o rabo e pronto a nos defender de qualquer coisa. Eu não me importo com as mordidas. Eu aprendi a conviver com isso, afinal, é da natureza dele. E é da minha, racional, entender certas coisas que ele não compreende.
Hoje de manhã, vi um cocker cor de chocolate vagando, sozinho, na rua. Ele estava na beirada de um córrego aqui perto de casa. Provavelmente não estava na rua há muito tempo - era gordinho e bem curioso. Acho que ainda não tinha se dado conta de que estava perdido.
Fiquei pensando em como ele teria saído de casa. Será que alguém o negligenciou? Será que ele fugiu? Eu já tive um cão que fugiu e posso garantir que foram os 15 minutos mais longos da minha vida (ele acabou entrando na casa de um vizinho achando que era a nossa). Ou será que ele era um filhote fofo que cresceu e aprendeu a morder? E aí a família dele o achou... bom, um incômodo?
Pela primeira vez, me peguei chorando ao pensar na maldade que se esconde em algumas almas humanas.


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