Missiva
Querida amiga,
escrevo esta carta porque, infelizmente, por motivos que apenas a vida pode um dia lhe explicar, nós não conversamos mais antigamente. E para impedir que minhas idéias sejam mal-interpretadas, ou sejam ditas de forma agressiva (defeito meu), resolvi escrever.
Estive pensando ontem em você. A vida não está fácil. Mas isso não é motivo para renegar tudo aquilo em que acreditamos, todos os sonhos pelos quais lutamos tão fortemente durante toda uma vida. Afinal, são os sonhos que fazem de nós seres humanos...
Você mudou depois de tudo. E não é para menos - chegar tão perto e escorregar pelo abismo não deve ser fácil. Mas eu não entendo como certas coisas, aquelas mais insignificantes e que ainda assim faziam de você, bom, você!, podem ter sido abandonadas. As pessoas mudam, você me disse. Mas eu não concordo.
As pessoas mudam sua forma de encarar a vida, as pessoas, os problemas, o mundo. As pessoas mudam o modo como enxergam certas situações. As relações mudam com essas mudanças. Mas as pessoas não mudam aquilo que mais importa, aqueles pilares únicos que fazem de cada ser humano uma peça importante nesse universo. Existe um espaço para adaptações; mas não existe, na minha opinião, algo que mude aquilo que você é. Ir além disso é viver em negação. E isso só traz mais sofrimento, mais dor, mais complicação.
Por isso, eu queria dizer que você não mudou. Que você ainda continua a ser aquela pessoa maravilhosa que sempre foi, com seus defeitos dramáticos e sua alma batalhadora. Mas eu me preocupo com você. Porque negar essa natureza, e negar tudo aquilo em que você acredita apenas porque deu errado uma vez (e por causa de outra pessoa!), não é saudável. Não é bom para o futuro que, eu sei, você ainda tem fé em construir.
A vida é curta demais. Demais. Não desperdice o seu coração, física e emocionalmente, vivendo na superficialidade. A profundidade da existência dói, mas é através dela que encontramos a verdadeira beleza de levantar todas as manhãs para um novo dia.
Era isso. Espero que ajude.
Um beijo.
D.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
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