Click Here For Free Blog Backgrounds!!!
Blogaholic Designs

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Relembrar é viver

Eu sempre lembro do passado com uma certa melancolia. Eu não fiz o que eu devia ter feito: brincado, zoado, feito tudo errado para rir e começar tudo de novo. Não, eu fiquei. Eu parei. Eu sentei e me dediquei a ler, a pensar, a produzir conhecimento e a observar pela janela as coisas aconteceram aos amigos - que invariavelmente vinham até o meu ombro pedir um conselho sábio.

Mas eu era tão pequena. Eu não precisava ser sábia. Eu não precisava entender a vida e seus mais profundos mistérios. Mas eu queria tanto... e me esqueci que esses mistérios estão todos imaculados e escondidos embaixo de cada pedrinha na rua, em cada árvore nos campos, em cada coração humano que bate instintivamente por aí. Eu queria abraçar o mundo, entender as emoções humanas, e eu mal começava a entender a mim mesma.

Escrevo isso porque estou escolhendo músicas para a minha retrospectiva de casamento. E retrospectiva me lembra que eu já vivi 25 anos aqui. 25 anos de algo que eu ainda não estou nem perto de entender, de planejar ou de pensar no que vai ser nos próximos dois dias. É confuso, entende? Dar um passo tão grande como esse e, ao mesmo tempo, não ter absolutamente idéia do que esperar, do que fazer. E ter saudades do que foi, e ter vontade de viver tudo de novo para fazer tudo tão completamente diferente do que eu fiz.

Sinto saudades dos tempos em que eu não deveria pensar. Eu não aproveitei esse meu direito - nunca deixei de pensar. E deveria. Eu deveria ter sido criança, caído, ralado os braços e quebrado o dedinho. Deveria ter brigado com meninos, beijado outros tantos por farra e ingenuidade, provado das experiências mais malucas que vivemos quando estamos nessa fase louca que é a adolescência. Deveria ter feito mais amigos. Deveria ter aprontado mais. Deveria ter sido menos exemplar, menos nerd, menos... menos cautelosa. Eu não precisava ser cautelosa aos 11 anos de idade, ou aos 13. Não era esse o meu papel.

E eu o desempenhei por vários motivos que não estão aqui em debate. E pensando hoje, será que faria diferente? Será que eu seria extrovertida, menos profunda e menos responsável, características que são os pilares de quem eu sou, do que eu sou e do que eu penso? Eu não saberia dizer, mas também acho que não saberia ser diferente.

E toda essa constatação me faz sentar aqui, neste momento, ouvindo a minha música da retrospectiva - In My Life, dos Beatles - e viver esses minutos melancólicos, imaginando um passado que nunca mais será, e um futuro que promete ser tão incrível quanto todas essas imagens dentro da minha cabeça.

Nenhum comentário: