Atchiiiiiim!
Quatro da manhã era o que o relógio marcava. Abri os olhos, relutante. Era noite e abrir os olhos estava completamente fora de cogitação para o meu cérebro. Mesmo assim, ele abriram. Antes que eu pudesse amaldiçoar alguém ou alguma coisa pelo fato de eu estar ali, sentada, com olhos forçadamente funcionando, percebi que meu rosto doía. Muito. Logo abaixo do olho esquerdo (minha esquerda) até a narina. Aliás, meu nariz estava metade inutilizado, tamanho era seu... ahn... entupimento. Mas voltemos para dor. Doía muito, além de estar pesando uns quilos a mais do que da última vez que eu havia checado. O reflexo do corpo desperto foi imediato: o fluxo sanqguíneo aumentou e, claro, seguiu diretamente para a região afetada. Antes que eu pudesse acender a luz - e isso demorou mais que o normal - meu rosto latejava. Dava para sentir as pulsações chegando e saindo dali. Daria até para ficar feliz, afinal, significava que meu corpo ainda estava vivo, reagindo, lutando bravamente contra as zilhões de bactérias que insistiam em tomar meu organismo. Mas eu nunca fui de acreditar nessas histórias melosas que dizem que a dor te faz sentir vivo. Ha!. Eu já me sinto viva por mim mesma, obrigada.
A luz acesa revelou que o Bóris, meu cão, estava aconchegado entre as minhas pernas. Ele não tem muita noção de onde deita e geralmente escolhe os piores lugares - como se equilibrar em cima das minhas duas canelas esticadas (!) na cama. De qualquer forma, ele faz isso de forma nada sutil - uma vez escolhido o ponto, ele simplesmente desaba. Quando acendi a luz, lá estava ele, todo enrolado entre os vincos do edredon. Me olhou com os olhinhos semi-cerrados, a cara de mal-humor evidente naquele focinho marrom. Ele sempre acha que alguém vai invadir o quarto da minha mãe e tomar o lugar dele e, quando eu me precipitei em sair do quarto, ele saltou da cama e já se pôs à frente. Inocente.
Segui para o banheiro, onde me apossei de um rolo de papel higiênico. Não era o caso, mas nunca se sabe. Deixei ao lado da cama, para eu não ter que levantar novamente e repetir o doloroso processo de abrir os olhos. Doloroso, aliás, estava sendo respirar. O meu lado esquerdo continuava latejando e agora parecia fazer com que a narina ardesse de forma alucinante. Se eu pudesse prender a respiração... dois segundos depois, percebi que precisava de um plano mais elaborado se quisesse continuar a dormir. Deixei o banheiro para trás e fui até a cozinha. A luz forte feriu meus olhos e, confesso, mantive-os praticamente fechados o tempo todo em que estive lá. Agarrei uns comprimidos em cima da televisão, enchi o copo de água e glup!, desceu.
Fez efeito: em cinco minutos, já sonhava como um bebê.
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