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quinta-feira, abril 17, 2008

Parte I (este post tem continuação)

Cinco anos atrás eu estava com uns 20 anos. E esse aí embaixo é o relato de quem eu era, na época, e do que eu queria ser. Porque relembrar é viver.

O que você fazia há 10 anos?

Há dez anos eu era uma garotinha exemplar. Era a melhora aluna da sala e da minha série, vestia roupas de grife infantil da época, era comportadinha e sorridente. Meio tímida, é verdade, mas jamais sem educação. Tinha uma irmãzinha há dois anos e ainda me acostumava com fraldas e mamadeiras, além de lidar com o recém-descoberto ciúme que eu sentia.

Queria ser veterinária, ter um hospital para cuidar de cachorrinhos e gatinhos - e adotá-los depois, claro. E depois iria estudar as baleias orcas na Antártida - queria ir passar o verão lá! Queria fazer a melhor faculdade do mundo - porque naquela época as coisas eram medidas com o tamanho do mundo - e ser bem rica, para ter uma casa bem grande como nos filmes que eu assistia. Adorava ver desenhos, filmes (em casa e no cinema). Naquela época eu ainda chorava em filmes: abri o berreiro em "Fivel, Um Conto Americano".

Tinha poucas amigas, porque como eu era cdf as meninas me faziam de boba. E eu era mesmo, muito boazinha e ingênua. Por isso, meus amigos de verdade eram meus livros e meus diários: adorava ler e escrever.

Há dez anos eu tinha um pai atencioso e brincalhão...

Já tinha me apaixonado, um amor infantil mesmo. Mas não tinha dado certo: naquela época eu era magrela demais, alta demais, com orelhas grandes demais e um nariz comprido demais. E um cabelo enrolado demais. Não pensava em filhos nem em casamento, mas queria sim um dia ter um príncipe igual ao da Bela Adormecida. Nunca consegui viver sem estar apaixonada...

Mas... e hoje? Será que tudo isso aconteceu?

Uma década que ainda vai passar

Hoje, quero ser jornalista. Não entrei de primeira na faculdade, e estou no terceiro ano de cursinho. Não quero mais " a melhor faculdade do mundo", porque descobri que o mundo é grande demais para limitá-lo a apenas uma faculdade, um país, um lugar. Não sou rica, mas nem por isso sou menos feliz. Não troco minha casa por nenhuma mansão.

Ainda adoro ler, escrever, assistir filmes e tv - mas sei lá por quê, desaprendi a chorar. Só choro quando realmente não estou me aguentando, e mesmo assim procuro um cantinho invisível para fazer isso. Péssimo hábito, me causou uma gastrite. Nervosa.
Ainda sou cdf e assumo tranquilamente. Não ligo mais para o que as pessoas falam, quero mesmo é estar em paz com a minha consciência. Meu cabelo ainda é enrolado, meu nariz e orelhas não tão grandes e ainda sou magra. Mas e daí? Sou assim e aprendi a gostar disso.

Hoje não tenho mais um pai atencioso e brincalhão...

Quase fiquei noiva, desisti, desacreditei no amor, e depois voltei a acreditar - mas primeiro aprendi a acreditar em mim, a me aceitar como sou, a me sentir confortável na minha pele. Às vezes penso em ter filhos, às vezes penso em não tê-los: isso é uma decisão para daqui dez anos, quando eu estiver terminando meu mestrado e já tiver viajado para os lugares onde quero estar um dia. Mas, quando chegar lá, quem sabe não leia de novo algo que me faça lembrar de hoje, dessa época. Aí eu penso se tudo o que eu quis hoje para daqui dez anos realmente aconteceu... porque pensando parece fácil: há dez anos era, hoje não tanto mas ainda é. E tem tanta coisa que aparece na estrada e que não planejamos! Eis a diversidade da vida - ainda bem que ela existe, ou morreria de tédio.

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