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quinta-feira, abril 10, 2008

Por quem eu tenho vergonha

Acabei de ler a reportagem de capa dessa semana da revista Veja. Sério, aquilo me dá vergonha. Como jornalista que sou, peço desculpas por meus colegas. Primeiro que, convenhamos, falar do mal em si é um tanto quanto vago e filosófico. Não rende uma pauta para uma revista semanal, que essencialmente é objetiva e informativa. Mas o que mais me indignou foi a reportagem sobre o caso da Isabella. Primeiro que há detalhes sórdidos do que poderia ter sido o crime ; depois, há uma coluna inteira falando do temperamento violento do pai, do ciúme dele em relação à madrasta, da relação explosiva que os dois viviam e todo tipo de descrição negativa - eles até mesmo insinuam que a falta de choro do pai durante o interrogatório é comprometedora. Mas, só para dizer que são justos, colocaram ali, no meio do texto e sem muito destaque, a informação de que, caso eles não sejam culpados, os danos causados à família seriam "irreparáveis". Não faz sentido. Por que pintar um pai monstruoso, frio e violento, e depois afirmar que ainda não podemos julgá-los?

A reportagem me lembrou um caso clássico do jornalismo brasileiro, estudado em todas as faculdades de comunicação: a escola Base. Os diretores e professores foram acusados de abusar sexualmente dos alunos. Somou-se a ambição de um delegado, que queria aparecer, com a vontade de um jornalista em dar um furo impressionante, e temos uma grande injustiça. O caso foi forjado; não houve abuso. Apesar de terem ganho processos por danos morais, os funcionários tiveram suas vidas desgraçadas. A escola fechou, e muitos nunca mais conseguiram emprego. A imprensa nunca publicou, com destaque igualmente amplo, a inocência dessas pessoas.

O caso é chocante e, no momento, eu não ponho a mão no fogo por ninguém nessa história. Mas, como jornalista, eu jurei (parece piegas, mas é verdade) não fazer julgamentos, ou escrever baseada em moralismos, achismos ou desconfianças que não se comprovam. E se ele for condenado ou acusado com provas reais, ainda assim, temos que tentar respeitar aquela vida que ali está sendo dissecada em mínimos detalhes. Ser imparcial é tarefa impossível; mas tentar ser imparcial é algo humanamente possível, só que completamente distante da realidade de algumas publicações.

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