Post II - a continuação
Há dez anos, eu tinha 15 anos. Naquela época, hoje eu sei, eu não sabia muito bem o que fazer da minha vida - o que é absolutamente normal, afinal de contas. A escola era minha vida e eu adorava ser a mais inteligente da turma. Adorava também competir com a outra mais inteligente da turma - e, modéstia à parte, eu sempre vencia. Eu tinha tantos sonhos... queria viajar o mundo; casar com um vestido modelo império (este aqui, particularmente); fazer biologia e ir estudar as baleias no Alasca (pois é!). Não queria filhos. Desejava desesperadamente um quarto com trancas, para não ter que explicar aos meus pais todas as imensas mudanças que eu sentia no corpo e na alma. A vida era um drama diário; na época, eu estava começando a namorar. Ele foi meu primeiro amor, ficamos juntos por quatro anos. Na época, eu achava que aquilo era o mais longe que eu poderia ter chegado aos 15 anos - já que eu era incrivelmente magra; incrivelmente mimada; incrivelmente estranha, de cabelo enrolado-muito-ruim (os hormônios...), franjinha falsa (céus!) e roupas bregas.
Apesar disso tudo, eu era feliz (continuo sendo). O mundo acabava todos os dias, eu sei; mas a sensação de dormir e recomeçar tudo no dia seguinte, sem responsabilidades, não tinha preço.
A próxima década promete ser decisiva na minha vida. Até os 35 anos (gente, como o tempo passa!), eu quero fazer um mestrado, falar mais três línguas (espanhol, francês e alemão) - eu já falo português e inglês; esta última é só quando não fumo maconha; para entender, leia aqui -, talvez mais uma faculdade, e ter uma casa. E um carro. Zero. Quero morar fora do país, e talvez, quem sabe, voltar ao Brasil só para passear. Também quero ter álbuns imensos de fotos com imagens de Londres, Amsterdã, Budapeste, Paris, Milão, Roma, Madrid, Barcelona, Praga, Viena, Bruxelas, Dublin, Edimburgo, Zurique, Berlim... Tóquio, Nova Deli, Cidade do Cabo, Nova Iorque, Boston, São Francisco, Chicago e Filadélfia. Quero ter dois filhos; um deles, espero, homem. Quero me manter com o corpo em dia, mas sem neuras - espero poder continuar comendo tudo o que eu gosto, embora em menor quantidade. Quero roupas melhores (mas acho que isso nunca será uma vontade satisfeita na minha vida de mulher). Quero continuar a ter essa relação maravilhosa que eu tenho com o namô/noivo - ele não é apenas meu amor, amante e amigo; ele é o companheiro de uma vida inteira. E não importa que, daqui a dex anos, quando eu pegar esse texto para ler, eu ache tudo uma grande bobagem. Foram essas bobagens que, há cinco anos, me guiaram até aqui... e são elas que vão me empurrar para conseguir muito mais.
sexta-feira, abril 18, 2008
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Um comentário:
Interessante, interessante. Quando penso retrospectivamente, sempre oscilo entre dimensões épicas e ridículas.
Você soube falar do passado. Parabéns, arte para poucos.
(Quanto a derrotar a outra garota mais inteligente, minha cara, você é um caso perdido. :-) Mas era de se esperar.)
Abraços ao moço que vai dizer sim.
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