Por uma obra do destino, sábado passado eu fui passear na Daslu - aquele shopping aqui em São Paulo considerado o templo do luxo brasileiro.
Não fui gastar toda a cota do meu cartão de crédito - mesmo porque levaria uma vida inteira para pagar. Também não fui fazer protestos, ou conhecer, ou fazer reportagem. Na verdade, mal entrei na loja em si. Fui direto para o terraço, onde acontecia até ontem o evento (que é uma feira, mas ninguém chama assim) Casar 2008, organizada pela Vera Simão.
Bem, desde o começo: a entrada. O lugar tem o charme dos ricos: o portão era formado por colunas em tons bege cobertos por heras muito bem aparadas. Ao passar os arcos você dá de frente com uma encruzilhada: à esquerda está a entrada principal da loja. Uma Ferrari cinza e um Porsche que eu não vi (o namô é que gritou do meu lado) enfeitavam a área. À direita estava a minha entrada: o estacionamento subterrâneo. Os carros sumiram e eu fiquei querendo que tudo passasse em câmera lenta, pra dar tempo de registrar todos os detalhes.
Chegamos lá e tinha um burburinho na porta de entrada. Algumas pessoas estavam comprando ingresso. Minha mãe e minha irmã tinham cortesia (um amigo me deu); eu tinha credencial de jornalista (ha!). O namô foi embora ver carros em um shopping de veículos. Entramos no elevador - perfumado - e subimos direto para o terraço.
A feira nem foi tão legal. Nada de novo e o que era diferente era diferente demais, do tipo que você nunca usaria em uma festa de casamento a menos que queira aparecer. Ganhei não sei quantas sacolas, peguei milhões de cartões e preenchi outros milhões de cadastros pra concorrer a brindes e prêmios. Como se pobre ganhasse isso... anyway, em certo momento, minha mana quis entrar no banheiro. Já na porta dá pra sentir um cheirinho delicioso. Eram velas aromatizadas, dispostas em duplas logo acima de cada torneira. Alaranjadas, combinavam com a cor da bancada de mármore, um bege meio rosado. Ao lado das torneiras, toalhas de papel - mas um papel fino, não desses que você vê em banheiro de shopping.
A saída ficava no terceiro andar, o que significava descer para o andar onde ficam os objetos de casa da marca Daslu Casa. Descemos. E é claro que nos perdemos. Fui pedir informação para uma mocinha muito bem vestida em um terninho preto, sentada em frente a um laptop e olhando tudo e todos com uma cara de desprezo de dar medo. Perguntei, a cara de desprezo veio com tudo pra cima de mim, ok, obrigada. Saímos e nos dirigimos ao elevador correto. No caminho, passamos por uma coleção de pratos e cumbucas e saladeiras e xícaras. Laranjas. Não gostei. Ao lado, pequenos palitinhos de petiscos estavam agrupados em montinhos de três. Cada um custava 59 reais. 59 reais por palitinhos de plástico! Sim, eu realmente estava na Daslu.
Descemos o elevador com uma mulher. Loira, peitos de silicone muito bem feitos (mas ainda assim eram silicone), boca carnuda preenchida de ácido hialurônico (ou seria botox?), sapatos Dior, bolsa Chanel e uma regatinha de renda e cetim preto. E o já costumeiro ar blasé.
Saímos e havia uma fila gigante para entrar na feira. Gente como a gente, gente com muito mais dinheiro, tinha de tudo. Era visível o desconforto das patricinhas e socialites em meio ao "povão". Acho que cheguei até a ouvir gritinhos abafados de descontentamento...
Saí de lá orgulhosa. Sobrevivi a minha primeira incursão na Daslu! Mas, confesso, pode ser a última. Não pelo dinheiro - que não tenho - ou pela sensação de deslocada - já que não faço mesmo parte do clubinho. É que cansa um pouco o olhar ficar tanto tempo dentro de um universo que parece uma história em quadrinhos, tamanha é a quantidade de estereótipos que pulam aos olhos a cada parada do elevador.
Pra ler gibi eu fico no conforto de casa. Mesmo.


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