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segunda-feira, maio 05, 2008

Vida de peão

Estava ontem à noite na casa dos meus avós e, papo daqui, cafezinho dali, bolo de fubá de outro lado... começamos a falar sobre a jornada de trabalho.

É engraçado como as regras do jogo mudaram rápido. Há pouco tempo, a jornada de trabalho era das oito da manhã às seis da tarde. Ponto. Ninguém discutia, ninguém reclamava e ninguém contestava.

Ou quase ninguém. Em algum ponto da evolução das empresas, alguém começou a ver que isso não funcionava. Que isso era ridículo. Que essa prisão de horário só servia para estressar as pessoas, fazer o trabalho render menos e, bom, a empresa lucrar menos. Alguém parou para pensar que essa divisão tão arbitrária do tempo era herança de uma Revolução Industrial distante, que já não faz mais sentido nos dias de hoje.

Some-se a isso o fato de que, com o tempo, o trânsito em São Paulo e nas grandes metrópoles foi ficando pior. E chegar às 8 da manhã, bom, se tornou tarefa impossível e improvável. O jeito foi flexibilizar a jornada. Agora é bem comum vermos pessoas entrarem às 9 - eu mesma entro às 10 da manhã.

Isso não significa que trabalhamos menos. Para compensar, a saída é tardia - 7, 8 da noite e estamos aqui trabalhando. Por um lado, essa flexibilidade de entrar e sair deixa as pessoas mais aliviadas; não há aquela pressão de ter que "bater o ponto", apenas a de fazer um bom trabalho, mostrar resultados. Estudos científicos já mostram que essa é a melhor maneira de incentivar o trabalhador, deixá-lo feliz, desestressado, fatores mais que importantes (e comprovados) para aumentar a produtividade deles. (veja isso aqui)

Por outro lado, no entanto, nunca se trabalhou tanto, como mostra esta outra notícia. Esses horários desregrados fazem com que a agenda da família "não bata", os desencontros aconteçam e, bom... cada indivíduo fique cada vez mais isolado, mesmo morando com outros na mesma casa. Outra desvantagem: esse aumento da carga horária não rendeu dividendos. Pois é, os salários ainda continuam abaixo do esperado (e merecido) no Brasil.

A verdade é que, no Brasil, essa onda moderna ainda não pegou realmente. Quer dizer, ainda conheço várias pessoas que trabalham nessa jornada antiga, levando o que meu tio chama de "vida de gado". Acostumado a sair quando a porteira abre, ficar nos congestionamentos / trens lotados / ônibus lotados, sem parar para pensar que, ha!, cinco minutos não vão fazer tanta diferença assim no fim do dia. Empregadores e empregados precisavam parar, em casa, e pensar no que fazem todos os dias. Será que dá pra melhorar? Como posso melhorar? Como posso ter mais qualidade de vida, mesmo que trabalhando muito? Falta muita coisa por aqui, principalmente isso: pensar...

Um comentário:

Jady disse...

Tem um meme no BU pra vc.

Beijo