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segunda-feira, outubro 06, 2008

Selvagem

Me recomendaram um filme chamado "Na Natureza Selvagem", dirigido por Sean Penn. A história é baseada em fatos reais: um jovem recém-formado na universidade resolve largar tudo, absolutamente tudo, e viver "sem lenço nem documento". Doou as economias para uma instituição de caridade e saiu viajando os EUA sem dinheiro nenhum, pedindo carona e arrumando um ou outro bico para se sustentar. Os pais, que formavam uma família conturbada, violenta e materialista, nunca tiveram notícias dele.

No fim das contas, o jovem acaba indo parar no Alasca, o lugar onde ele julgava que iria se conectar com a natureza. E se conectou mesmo. Dois anos depois de viajar pelo país, ele morreu envenenado - comeu uma planta silvestre por engano e se foi depois de passar muita fome.

Meu chefe, a pessoa que me indicou, disse que, depois de ver o filme, ficou com vontade de sair pelo mundo, viajando e sem se preocupar com mais nada. Eu não senti nada disso. Pelo contrário. Fiquei, a cada cena, pensando e valorizando cada vez mais minha família, meus amigos, minha casa, meu estilo de vida. Não tive uma infância conturbada como o personagem principal; na minha opinião, esse foi o real motivo pelo qual ele precisou se encontrar. Faltou perdão, entendimento. Faltou reflexão, e a única forma que ele encontrou de se encontrar com tudo isso foi sumir de tudo e de todos, ficar sozinho, se refugiar com seus medos e pensamentos.

É claro que ele é meio lunático. Dá para perceber pelo jeito que ele fala. A certa altura do filme, ele afirma que as relações humanas não são a única forma de encontrar a felicidade. E foi essa a parte que definiu o filme para mim. Por ter vivido relações completamente desestruturadas, ele quis acreditar que isso não é a real felicidade. Mas eu discordo. O que nos torna humanos é a nossa capacidade de dar sentido à experiência coletiva que experimentamos quando nos relacionamos. Tanto é que, depois de algum tempo sozinho, ele começa a falar com as árvores, delirar, enlouquecer mesmo. É maluco isso, mas o que nos define é a imagem que projetamos no próximo. Sem isso, a existência perde o sentido. E uma existência sem sentido é o começo do fim para o ser humano.

Mas o filme é bom. Tocante, e com belas paisagens. Sean Penn provou de novo que, além de excelente ator, tem uma mão mágica para dirigir filmes. Vale a pena assistir. (mais informações sobre a história você vê aqui)

Um comentário:

Charlie disse...

Eu assisti esse filme e gostei muito. Como voce disse, alem de tocante, ele te faz valorizar a familia e os amigos que se tem... nao sei se voce reparou, mas no final, pouco antes de morrer, ele escreve no diario dele, ao lado da palavra "happiness" se nao me engano, "not complete unless shared." Acho que no fim ele entendeu isso tambem...