Em tempos de vacas magras...
... me pareceu justo relembrar o passado com um texto publicado em 2005:
Clarice
Não sei muito bem como começar este post. Por isso, começo assim: assumindo minha total ignorância.
Também não faço idéia da solidão que invadiu meu coração esta tarde. De repente, as declarações de amor se tornaram efêmeras, e os amigos ficaram mais distantes. Me encontrei, dessa forma, em um momento daqueles em que o mundo ficou árido, deserto, repleto de um inexplicável vazio.
Comecei a pensar que nessa vida nada é certo, e tive medo. Sim, temo pelo futuro que se aproxima, pelo que desconheço, pelo que foge ao meu controle. Gosto de manter os pés acima do chão, e sei que certa insanidade faz bem à saúde; mas, por alguma razão que me escapa agora, não ver o chão assumidamente me deixou apavorada.
Gostaria de sentir uma certa segurança na incerteza, coisa de manual-de-como-ser-feliz. Não sei fazer isso. É minha luta diária: conviver com a possibilidade da perda e do ganho, igualmente; da ida e da volta, da falta e do preenchimento. Convivo, todos os dias, sem saber o que pode me acontecer, lutando para manter a calma quando quero apenas um algo quente, certo e aconchegante.
Sou um desespero ambulante. A angústia personificada; o medo irracional dominando, silenciosamente, a minha mente e meu corpo. Fujo, pois, das pessoas quando me sinto sufocada ao máximo. Detesto sentir que os olhos que me seguem não aprovam, não entendem e não querem por perto o que eu sou.
Tenho mais medo, por fim, do julgamento. Não sei conviver comigo e não sei como ensinar as pessoas a conviverem comigo. Sinto, a cada dia que passa, que perco essa guerra; sinto, a cada dia, que as pessoas ficam mais distantes de mim, que meus sentimentos são cada vez mais alheios ao padrão comum. Sinto, em último caso, a solidão que se apossa de mim quando, diante de mil rostos, nenhum entende o vazio que toma conta de repente do meu mundo...
terça-feira, fevereiro 17, 2009
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