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quarta-feira, março 18, 2009

Da raiva

Você pode sentir qualquer sentimento da vasta gama de opções que o ser humano possui. Mas é inevitável que a raiva seja a que vai mais tirar você do sério.

Sim, raiva é tipo uma paixão às avessas. Você dorme pensando nela; acorda, e logo já sente os primeiros sinais raivosos entrando na corrente sanguínea. Você toma banho pensando no que dizer ao objeto de sua raiva - discursos inúteis que vão embora junto com a água ralo abaixo. Você toma café, se arruma, sai de casa, pega o carro - e a raiva está lá, circulando agora com força total dentro de você.

Quando você percebe, ela domina grande parte do seu dia. Da sua vida. E, assim como uma paixão escondida e sufocada, ela começa pouco a pouco dominar a sua personalidade. A sua capacidade racional declina, e as suas ações passam a ser reféns de um turbilhão de pura emoção e adrenalina. Pensar se torna uma tarefa digna de um guerreiro de Tróia. E o que dizer sobre aqueles ensinamentos lindos que você aprendeu com a sua mãe? Aquele papo sobre ser uma pessoa melhor, tolerante, paciente, generosa, misericordiosa (na verdade queria dizer "alguém com compaixão", mas nem eu nem ninguém aqui na redação sabe qual é o adjetivo para isso!)... parece que uma névoa densa se abate sobre a sua consciência, e tudo o que você consegue pensar é: "Eu PRECISO descarregar isso!".

No fim do dia, você está cansado. Acabado. Assim como carregar uma paixão, carregar raiva é como colocar pilhas de caixas nas costas e levá-las para todos os lados consigo. O dia inteiro. São picos de adrenalina que fazem o seu corpo gritar; cada célula, cada músculo protesta pela incessante atividade - que na verdade não é atividade, já que você nunca (ok, geralmente nunca) de fato parte para a porrada.

No fim do dia, quem sofre com a raiva, quem sofre calado e dolorido, é quem carrega a raiva. Onde dói mais, é só em quem sente.

E mesmo assim, sabendo que pode fazer tão mal (causa úlceras no estômago até!), é difícil se desapegar desse sentimento. Uma vez dentro de si, ela consome, devora quem a sente. Domina os dias, as horas, os banhos, as refeições, as relações - até se tornar a única coisa ainda verdadeira naquela vida.

A raiva é como uma paixão. É fogo que consome tudo ao redor até restar apenas cinzas.

Um comentário:

Davi Caetano disse...

Eu só acho que no final do dia a raiva traz cansaço, enquanto a paixão me deixa levitando. É como se eu andasse sobre pilhas de caixas...

ps: Vc lembra de mim?