A insustentável leveza que nos rodeia
É engraçado como, de quando em quando, alguma coisa vem chacoalhar a minha percepção de que começo a entender a vida.
Minha mãe perdeu o emprego hoje. O chefe, mais um daqueles otários que subiu ao poder mais pela capacidade de puxar o saco do que pela competência, não deu um motivo justo. Nem ao menos esperou o fim do dia.
Afora o fato da minha mãe ser minha, e isso já a torna uma injustiçada no meu ponto de vista, vê-la sem emprego e frágil era algo que jamais passou pela minha cabeça. Pela primeira vez, senti na pele aquela sensação de que está na hora de tomar conta da minha vida, sair de casa, crescer. Sabe, não depender de alguém - pelo contrário, talvez ter alguém dependendo de você.
A sensação é estranhíssima! Primeiro, é surreal. Passado o choque, você começa a encarar os fatos com mais... firmeza. Otimismo, sim, mas um pouco de susto. E aí vem a responsabilidade. E com ela aquele frio na barriga de saber que, a partir dali, aquele primeiro passo que você dá não tem volta.
Eu não vou morrer de fome, não vou deixar de ter os mimos que ela sempre me deu e definitivamente as coisas não vão mudar tão drasticamente. Mas, a sensação de ver que todo carnaval tem seu fim, que nem tudo dura o tempo que queremos e que está na hora de virar "gente grande" é algo que me fascina. Assusta, mas fascina. Por ser algo que eu provavelmente não vou sentir acontecer... até que já tenha acontecido de uma vez por todas.
Um barato, essa história de viver.
segunda-feira, agosto 13, 2007
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