A tal da Idade MédiaPara quem não sabe, ou não lembra das aulas chatérrimas do colégio, a Idade Média foi chamada também de Idade das Trevas. Foi um período escuro da humanidade, em que a Europa (o resto do mundo ainda era tecnicamente inexistente aos olhos das pessoas) enfrentou guerras, pestes e, principalmente, o domínio sangrento da Igreja Católica. Muitos dos crimes pelos quais essa instituição hoje é conhecida e pede perdão (sempre que pode, ou quer) aconteceram durante esse período da história.
Pois bem, essa narrativa veio à tona hoje para mim ao ler um dos ótimos posts do Blog do Tas, sobre a votação de uma ação de inconstitucionalidade contra uma lei de 2005 (sim, e estamos em 2008!) que autoriza a pesquisa com células-tronco embrionárias. Com isso, a chance de se descobrir a cura para esclerose múltipla, sequelas de derrame e até mesmo paralisia (seja por acidente ou por doença), entre tantos outros males que fazem sofrer milhões de pessoas, pode estar mais perto do que nunca. O Brasil hoje é reconhecido por suas pesquisas genéticas, e com certeza seria ainda mais respeitado ao entrar para o clube dos países que trabalha com esse tipo de pesquisa.
MAS, a Igreja Católica está em plena campanha contra a aprovação dessa lei. Para eles, a pesquisa "mataria" embriões, ferindo o direito à vida. E, claro, eles são a favor da vida. Sempre. Nem todos os católicos, no entanto, são partidários dessa opinião. Minha mãe é ministra da Igreja. Conversei com ela sobre o assunto e ela é a favor da aprovação, desde que seja mantida a condição de que serão usados unicamente embriões que seriam inviáveis ou descartados - ou seja, mesmo fecundados, eles não se desenvolveriam normalmente.
A minha ira recai sobre os dinossauros da Igreja Católica, que fazem de tudo para tumultuar o avanço da humanidade. Em uma espécie de retrocesso aos tempos da Idade Média, eles querem dominar o planeta mantendo códigos de ética machistas, moralmente ultrapassados e completamente atrasados cultural e socialmente. Apesar de favorável à vida, como os católicos fervorosos gostam de pregar por aí, a Igreja não faz o mínimo de esforço para dar dignidade a essa vida.
Por isso, eu considero que a Igreja Católica está medindo forças com a ciência. Apenas isso. Para provar que ainda é uma religião forte; para provar que ainda tem poder no mundo - embora esteja perdendo milhões de fiéis no planeta a cada dia que passa.
Apesar de favorável, minha mãe ainda defende que a Igreja Católica é a favor da vida. Eu não concordo. Como uma instituição que se diz a favor da vida pode privar seus fiéis do uso da camisinha, que evitaria a contamição por doenças sexuais tão graves, como AIDS e hepatite? Ainda mais em um país como o nosso, onde ainda existem pessoas que morrem disso, apesar de já existir tratamentos eficientes. E defender a vida, como eu já disse, não é apenas defender um composto multicelular, que ainda não pensa, não sente ou nem tem consciência de sua existência. A fecundação é mesmo o marco da vida biológica; mas a vida humana, a que sabemos e vivemos hoje, começa depois.
Estou torcendo para que a lei finalmente passe, o Brasil siga adiante com a pesquisa, e a Igreja Católica finalmente comece a praticar o seu discurso.
(foto: Universidade de Wisconsin)


Um comentário:
Acho que ciência é ciência e religião é religião. O que a igreja católica pensa a respeito é problema deles. A gente pensa tanta coisa a respeito da IURD e ninguém diz nada, não é!?
O que o Candomblé pensa da igreja católica influência em nossas vidas? Pois é...
Do mesmo jeito tem de ser com a católica. Eles podem ser contras como quiserem! O que está em jogo aqui são leis de um PAÍS regido por leis e governantes, não por padres, bispos, papas, etc.
Se não votarem a favor disso e essa palhaçada da igreja der certo eles vão, mais uma vez, acharem que somos mesmo um rebanho.
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