
Meu nome é respeito
Essa aí em cima é uma cachorrinha de dez anos. Aproximadamente - não se sabe ao certo a idade dela, mas a carinha toda branca já deixa claro que ela é uma senhora. Ela é da raça daschund - aquela conhecida como o cachorro do comercial da Cofap. Puro sangue ela, o veterinário atestou. E mesmo assim, alguém em algum momento deixou de querer mantê-la em casa.
Essa pequena era nada na minha vida até terça-feira passada, quando eu a vi no camnho para o trabalho. Ela estava deitada, toda enrolada em si, no canteiro da estação de trem de Osasco. No começo, achei que fosse mais um entre tantos animais de rua. Ignorei. Na quarta-feira, no entanto, lá estava ela, caminhando e cheirando e olhando com uma cara perdida para os carros que passavam. Foi aí que eu percebi que ela não era mais um cachorro de rua. Ela estava perdida.
O tempo esfriando e a chuva chegando foi o que mais me preocupava. Comecei a correr atrás de entidades que recolhem cães de rua. Nada. Todos lotados. Mais tarde, falando com outros protetores, percebi que a ajuda dessas instituições se resume ao discurso. Procurando mais um pouco, encontrei quem me desse pistas de ajuda, mas nada concreto. Uma protetora disparou um e-mail e eu já estava pensando nos motivos que daria para meus pais para levar mais um cão para casa. Foi quando a Gi me ligou. E prometeu cuidar bem dessa cachorrinha. No fim da tarde, ela me ligou e disse que já estava a caminho do veterinário. A pequena estava salva.
Definitivamente, não era mais um cão de rua. A cachorrinha estava gordinha, apesar de faminta. Provavelmente foi deixada ali pelos antigos donos, que a maltrataram enquanto estava em casa e não queriam tratar um ser idoso e doente. Sim, doente: ela está com um tumor nas mamas. Mas, apesar das pulgas, dos carrapatos, dos chicletes grudados no pêlo, da infecção urinária e do tumor, ela está bem.
Fui ontem à noite vê-la na casa da Gi. Agora, a Princesa (esse é o nome que eu quero dar) tem uma cama cor-de-rosa com cobertor, potinhos de comida e ração especial à vontade e uma colerinha vermelha com brilhantes. Simpática, preguiçosa e manhosa, passa a maior parte do dia pedindo colo. Se você se afastar bruscamente, ela começa a chorar - provavelmente por medo de ser deixada de novo. E quem disse que cães não sentem nada...
Essa cachorinha me fez pensar. Esse é o lado feio do ser humano. O lado que quer se livrar do que é velho, incômodo, doente. E não me refiro só aos animais. Fiquei depois imaginando quantas pessoas são colocadas nas mesmas condições, todos os dias, por pessoas que não têm o mínimo de consideração por nada vivo nesse mundo.
Pelo menos dessa vez, o final foi feliz.


2 comentários:
Eu quero que a pessoa que a abandonou tropeçe, caia e as pessoas em volta riam dela. Aí ela vai lembrar da cachorrinha.
Eu vou para o inferno quando eu morrer, mas vou encontrar muita gente lá.
Beijos para a Princesa. Qualquer dia ela vai tomar chá com a Mila, um programa de senhoras.
Eu sou apaixonada por animais, cães em especial, e me dói muito saber que as pessoas ainda os têm como seres descartáveis, que podem ser jogados na rua ao primeiro descontentamento. Fico feliz que a Princesa tenha cruzado com você, uma pessoa sensível, que conseguiu ver, através de um focinho, uma vida acima de tudo.
Abraços.
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