Em trânsito
Odeio motoqueiros - os de profissão, "motoboys", que fique claro. Passei a odiá-los quando, um dia, ainda adolescente, fui descer do carro da minha mãe e um infeliz passou pela direta - ou seja, na porta em que eu estava saindo - xingando minha mãe por ter parado na calçada - sim! - para me deixar na escola.
Como se ele estivesse muito certo.
Depois, quando estava começando dirigir, percebi que eles têm um certo... amor pelas ruas. É, uma posse, sabe como? Nós, motoristas de carros, somos meramente decorativos - o território ali é deles. Os corredores, então, nem se fala; são via privilegiada de quem pode passar em duas rodas por pequenas aberturas no caótico trânsito paulistano. E, como podem fazer isso, deve ser respeitados - muito, muito, muito, muito respeitados.
O desrespeito às leis impostas por estes velozes cidadãos implica em pesadas penalidades. Chutes no retrovisor, na porta do carro e em qualquer parte da lataria que possa ser amassada são comuns; também há os que dão tapas no capô do motor, no teto do carro, no vidro. Em casos mais gravez, eles rasgam seu pneu com faca ou podem usar também armas de fogo. Dia desses, uma dupla perfurou meu pneu traseiro. Uma coisa assim, muito civilizada, digna mesmo de quem só tem inteligência e faculdades mentais para ser isso da vida.
O pior de tudo é que eles são muito rápidos. Muito. E você, que tenta se localizar nas poucas placas do centro de São Paulo, fica até meio zonza com a velocidade com que eles passam por entre os carros. O seu carro um deles. Daí, quando você finalmente acha o caminho, não basta ver se o corredor está livre. Não basta ver que tem uma moto ao seu lado, diminuir e esperar ele passar para só então virar à esquerda. Porque diante de todo esse cuidado, você ainda ouve, pertinho do seu vidro, em alto e bom som:
- Dá seta, car****!!!!
É, vida de motorista em São Paulo não é fácil.
segunda-feira, maio 11, 2009
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