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terça-feira, agosto 18, 2009

Manifesto

Eu estava lendo aqui um artigo sobre a caça de golfinhos no Japão e me deparei com uma questão que todo anti-ecochato seeeeeeempre levanta quando falamos sobre crueldade contra animais selvagens. Vejam:

"Qual a diferença entre uma vaca, um porco e um golfinho?", perguntou. "Não há diferença. Existe um mercado para o golfinho no Japão. Não é um grande mercado, mas é um mercado. O golfinho é um recurso e as pessoas precisam respeitar outras culturas. Em outros países se comem vacas. Mas nunca dissemos aos americanos: não comam cheeseburger. Nunca, jamais dizemos isso." - Shigeki Takaya, diretor-assistente da Divisão de Pesca em Alto Mar do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca japonês, que supervisiona a caça a golfinhos

A máxima pode ser traduzida também em outra coisa que eu já ouvi bastante:

É hipocrisia ser contra o uso de pele de animais na moda enquanto você continua a comer carne.

As duas expressam um simplismo, até uma ignorância sobre o abate de animais selvagens, que beira o ridículo. Por quê? Vejamos.

Primeiro, o sr. Takaya deveria ter estudado um mínimo de anatomia animal antes de subir ao cargo que ocupa, já que, SIM, há diferenças significativas entre uma vaca, um porco e um golfinho. Para começar, golfinhos são criaturas extremamente inteligentes - e isso não sou eu, amante dos animais, que afirma. A ciência já comprovou que os golfinhos são capazes de reconhecer nomes (yep, é isso aí), de emitir sofisticados sons para se comunicarem entre suas famílias, e até mesmo de reconhecer o próprio reflexo no espelho. Vai dizer, quantas vacas ou porcos são capazes disso tudo?

Depois, vacas e porcos não possuem senso de família - eles não ficam por perto quando outro membro do bando está sendo assassinado. Vale lembrar que vacas e porcos são mortos de maneira industrial - ou seja, o abate é rápido e certeiro, praticamente indolor. Ok, o modo como são criados é discutível, mas eles não são animais selvagens encurralados num canto e assassinados aos poucos, no meio do bando inteiro, sendo que todos do grupo sabem o que vai acontecer ali. Isso, meus amigos, é crueldade na sua mais pura versão.

Crueldade pura também é assistir a um vídeo (que me recuso a postar aqui, mas não é difícil de ser encontrado) que circula bastante na internet com pequenos animais sendo picotados vivos na China para terem sua pele vendida para a indústria da moda. O que isso tem a ver com o meu cheeseburguer? NADA, na minha humilde opinião. O sapato que eu calço, a bolsa que eu compro e todos os outros artigos de couro que eu compro são feitos de couro de vaca, de boi - aqueles mesmos que morrem de forma instantânea para que eu possa saborear a carne deles. Aliás, o sistema de abate é feito pensando justamente nisso, para se aproveitar tudo: couro, carne, ossos (para fazer gelatina). É bem diferente de eu comprar um casaco de minke, um bichinho que parece um guaxinim, e matá-lo apenas para usar sua pele. Alguém aí come carne de minke? E de urso? E de bebês focas? Ah, já sei. Chinchilas? Não. Raposas?

Não, né?

Um minke que tenha o azar de ser capturado vai sofrer muito antes de partir. Primeiro, os caçadores dão uma pancada na cabeça do bicho. Mas ele não morre - na verdade, muitos (sim, muitos) só ficam zonzos. Aí, enquanto estão atordoados, os animais (caçadores) pegam uma machadinha, miram na intersecção entre "mão e perna", e cortam. Patas da frente, depois patas de trás. A seguir, jogam os corpinhos mutilados (detalhes: eles estão se mexendo) numa gaiola, onde outro caçador começa a tirar a pele. Quando termina, a massa de carne que sobra é jogada num latão de lixo. É possível ver alguns ainda se mexendo.

Isso para não falar dos bebês focas, que morrem com golpes de taco de beisebol na cabeça. Ou das chinchilas, que morrem eletrocutadas - ou não morrem, como acontece frequentemente, e também são depeladas vivas. Ah, e temos ursos também.

O que as pessoas que defendem a manutenção desse tipo de abate não entendem é: o problema não é a cultura. Não é a tradição. Eu estou pouco me f****** para o que cada tradição prega. O que é universal, indiscutível, é que causar dor a um ser vivo; causar esse tipo de aflição e agonia a outro ser que, pô, você SABE que está sofrendo, é desumano. É maldade. É uma forma diminuir sua alma, sua capacidade de sentir compaixão - por animais e por pessoas. Se um golfinho é um ser "inferior" por ser um animal irracional, o que será das mulheres, dos idosos e até das crianças, que em muitas culturas são consideradas inferiores? Qual é a medida de compaixão nesses casos?

Mas, como todos os conflitos no campo filosófico, esse é mais um embate que vai ser demorar algumas gerações para evoluir...

Um comentário:

Davi Augusto disse...

Eu discordo em um ponto: O dono do frigorífico não pensa em diminuir sofrimento quando vai matar o boi. Se houver um modo de carne ter melhor qualidade com muito sofrimento ele utilizará. Os bois percebem que vão morrer, tanto que recuam quando são levados para o fatídico local. As aves sofrem tanto no pequeno espaço das gaiolas que se não tivessem os bicos arrancados matariam umas as outras.
A maior semelhança entre a morte dos bois e dos golfinhos está na ganância, a mesma que está em mim. Se meu pai fosse dono de um frigorífico provavelmente eu seguiria o mesmo caminho.