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quinta-feira, dezembro 03, 2009

É bom estar de volta

Depois de literalmente surtar de tanto trabalhar, voltei. Assim, praticamente ressurgindo das cinzas, mas ok.

Nesses mais de 20 estressantes e estapafúrdios dias, eu entendi os motivos que levam tanta gente a simplesmente enlouquecer nos grandes centros urbanos. A vida aqui, assim, sem fazer absolutamente NADA além de passear, já é estressante. Imagine então passar doze horas trabalhando e ainda enfrentar tudo isso.

É de enlouquecer MESMO.

Primeiro, as pessoas não confiam em ninguém. E todo mundo vive um estado permanente de tensão - pensando quem é que vai puxar a sua perna dessa vez, quem é que vai te prejudicar, se o seu funcionário vai cumprir as metas ou te ferrar. Enfim, se você vai conseguir sobreviver a mais um dia no escritório.

O almoço é outra tensão. O seu corpo pede, deseja, praticamente implora por uma "confort food" - tipo "comida confortável". Qualquer coisa que você goste muito, geralmente uma porcaria. E tem lógica nisso: o seu dia até então foi, bem, uma merda (falando o português claro). É óbvio que cada célula do seu corpo quer uma recompensa, algo que libere MUITA endorfina (e serotonina, e todas essas drogas do prazer que o seu corpo produz). E o que mais libera isso além de uma Coca-Cola gelada, ou um hamburguer suculento, ou um penne com tomates frescos, manjericão e tomate (ou qualquer coisa que você ame de paixão)?

Sim, esse é o motivo pelo qual tantos estressados engordam.

A tensão não termina aí. Porque você vai sucumbir ao desejo da confort food e vai 1) viciar, afinal, as drogas do prazer, apesar de serem do seu corpo, viciam também; e 2) ficar extremamente preocupado pois seus colegas de trabalho, tão miseráveis quanto você, decidiram ser fortes (ha! a geladeira a noite aguarda) e ficar só na saladinha. E você vai se sentir gordo, imenso, gigante. E, por fim, triste. Cansado, estressado e... desanimado.

Depois de toda essa luta, você, exausto, volta ao trabalho para, bom, continuar o trabalho. Ao final da jornada de doze horas, você vai para casa e... bom, ir para casa não é assim uma tarefa tão rápida. Nem simples. Ou instantânea. Na verdade, leva um BOM tempo para você chegar até sua casa, principalmente se você mora em São Paulo (como eu). E aí não há rádio ou revista ou qualquer apetrecho que passe calma e tranquilidade. É nesse ponto que as pessoas perdem o equilíbrio. O carro vira uma arma e as ruas viram uma selva. Todo mundo querendo tirar vantagem, todo mundo querendo passar na frente. Tem gente que, se pudesse, passava por cima (eu inclusa).

Uns quarenta minutos depois, finalmente em casa, você, bom...toma uma cerveja, abre um vinho, uma doce de uísque. Devora um pote de sorvete Kibon (quanta gordura...). Vê TV, com sorte algo com na rede paga, e vai dormir.

Para começar toda essa loucura de novo no dia seguinte.

Não, não é brincadeira. É claro que eu exagero na licença poética e esse texto faz rir às vezes. Mas a verdade é que, vivendo assim, estamos na verdade vivendo menos. Afinal, viver é trabalhar, ficar preso no trânsito e comer? NÃO! É olhar o pôr-do-sol, beber/comer com os amigos, conversar com o marido/namorado/ficante. Ler um bom livro, ver um bom filme (no cinema ou em casa), curtir a companhia das pessoas que amamos (e dos animais de estimação também). Enfim, se nada disso agrada, simplesmente viver é curtir a paz, o silêncio, a sua casa, o seu canto. Curtir você e seus pensamentos. E é triste, muito triste, ver que poucas pessoas têm essa visão - e, quando têm, são tachadas de loucas. Inconsequentes. Irresponsáveis.

Desculpe, mas se para ser feliz eu tenho que ser chamada assim... eu realmente não me importo.

Um comentário:

Natália Leão disse...

Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz. Mas louco é quem me diz E não é feliz, não é feliz

;)