O medo de mudarEstava lendo uma crítica sobre o filme "Milk", que tem várias indicações ao Oscar, e me dei conta da crueldade que se abate sobre nós quando encontramos mentes modernas, ousadas, que tentam de forma insistente nos abrir os olhos para além de uma vida medíocre. A história do filme é sobre o ativista Harvey Milk, que, na década de 1970, em São Francisco, foi o primeiro gay que se elegeu para um cargo público. Lendo a sinopse do filme, acompanhei brevemente a trajetória do cara, que se mostrou um visionário - foi dele a idéia de uma lei que proibisse a discriminação por conta da orientação sexual; e da camapanha para incentivar os donos de cães a retirar os dejetos de seus animais das ruas. Em suma, alguém que só queria fazer as pessoas se tornarem mais civilizadas, um passo que de tempos em tempos a humanidade precisa dar.
Lendo a história, no entanto, eu me peguei tensa. Sem saber o fim, eu já sabia que alguma coisa tinha dado errado. Alguém com ideias tão originais, tão... modernas, simplesmente não poderia existir por muito tempo. Não é para ser assim, por algum motivo ou lei natural que eu nunca consegui entender. Mas essas pessoas não se encaixam; ou elas não aguentam ou alguém por perto não aguenta. E pensei: "Alguém assim poderia ser assassinado".
E o fim da história, que é real, é esse mesmo: um de seus opositores no governo o assassina com um tiro em seu gabinete. Anos depois, o criminoso cometeu suicídio. É triste pensar que alguém que fez tanto pela humanidade, pelas leis sociais e mesmo pela moral mundial, tenha um fim tão trágico. Mas aí comecei a pensar em quantos heróis que tentaram algo e foram assim, de forma fria e indiferente, ceifados do mundo. Martin Luther King, Gandhi, Chico Mendes, Nelson Mandela (que não foi morto, mas ficou encarcerado de forma injusta por quase metade de sua vida)... e tantos outros anônimos.
Um tapa na cara da dura realidade: o ser humano, quando tem medo, pode ser incrivelmente cruel.


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